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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O Miguel e a mudança de escolinha...



Diário: setembro de 2006 (cont.)

Durante as três semanas seguintes ao primeiro ciclo de quimioterapia, ainda antes do cabelo ficar fraco, fui ter com a Paula, ela que me tem lavado os cabelos e penteado, desde que sai do hospital. A Ni ou o Joel, levavam-me ao salão, porque eu não podia conduzir ainda..A minha sobrinha Diana a ultima vez que lá fomos, veio de lá muito envaidecida com uma madeixa azul, da cor do vestido de dança . Com as unhas cheias de florinhas pintadas. A Paula cabeleireira, tem uma irmã, que eu não conheço, mas ela sensibiliza-se bastante, quando falamos no assunto.Ainda que eu note (até em mim), que este assunto "quimioterapia", já não me faz dor, nem medo, já não me é desconhecido. Eu e ela, brincamos, falamos, sobre tudo que nos ocorre, quando chega ao assunto" cancro", ela começa com as palavras a sairem tremidas, vê-se uma lágrima que teima em cair. Contou-me, logo no início, quando soube o que se passava comigo: " ...a minha irmã -está tudo a correr bem- só teve de fazer radioterapia, e agora está só sob vigilância. Mas sofri tanto, durante todo este processo, e ainda sofro!... pode sempre voltar!..."- lembro-me, de não lhe ter dito nada, mas pensei: mas ela está bem, já se acabou a prevenção, agora é a luta de todos os dias com mil e um problemas para pensar, para resolver, construir os objectivos, enfim! Viver ... estar sobre vigilância, parece-me uma posição muito segura, "um menos mal".

Tempos depois, quando acabei todos os tratamentos, percebi então o que era o medo, o receio de deixar de estar bem, aquilo que a Paula e a irmã sentem desde então. O Dr Gil, meu amigo, e irmão de um amigo antigo, o Beti, cunhado de uma amiga de longa data também, a Mila: dizia-me tempos depois, estava eu a acabar os tratamentos e a fazer acunpuctura, na sua clinica em Palmela... " quando acabarem os tratamentos e fizeres os primeiros exames, estás na mesma posição que os outros que nunca tiveram a doença. Não adianta pensares nisso, ou quando pensares, pensa que nunca mais volta, porque nunca mais vai voltar. Por favor, não estragues os teus dias a pensar o que o amanhã será ".

A Paula cortou-me os cabelos pelos ombros e o que cortou ficou alinhado com elasticos, para fazer a peruca.

Mas o mês de Setembro decorria menos mal, as melhoras da cicatriz eram visiveis, fazia visitas regulares ao escritório, onde era muito acarinhada. O meu filho, mudou de escola, saiu do colégio onde estava desde os três meses e meio e passou a fazer parte dos registos de outra escola. Não foi fácil a mudança, principalmente pelos motivos que eram. No mês de Agosto tinha tudo corrido como era esperado, mas eu estava um pouco pessimista, achava que a qualquer altura o quadro clinico poder-se-ia alterar, estava a usufruir de baixa, e os meus rendimentos estavam a escassear a olhos vistos. Não sei o porquê mas, até no negócio do meu marido, a crise era uma análise adquirida. E se eu consigo ter uma visão muito aclarada de um negócio, estava irreconhecível a queda, uma grande queda. Quanto muito, podiamos concluir que os negócios estavam maus em todos os ramos, e a cair desastrosamente neste verão. Devido ao aumento das taxas de juro dos empréstimos, créditos mal parados, desemprego farto, em algumas empresas grandes aqui do Distrito de Setubal, o que também já não é novidade neste distrito de à longa data, que agora encerraram portas. O meu pessimismo, também passava pela parte financeira, é claro.Sempre tentei ser o mais providente possível ao ponto de saber quando posso gastar muito, e quando tenho de poupar. Mas a doença não foi prevísível, apanhou-me desprevenida em todos os aspectos. Os 65 % do meu ordenado declarado, era gasto agora, sem o ver. Enfim! duras as opções.
Mas relativamente à escola do Miguel, graças ao esforço da minha tia Dorinda conseguia junto da direcção da escola, uma vaga, durante o periodo em que eu estava no pré operatório. Iria pagar um terço do que pagava antes. E felizmente, não fiquei arrependida da mudança. Porque sabia de à muito, que esta escola apesar de ser grande, tem muitas crianças, demais!... mas, em contrapartida, tem um espaço exterior enorme, é muito agradavel, com espaços verdes para eles brincarem, e tive tambem a felicidade de ter lá muitas colegas minhas antigas,do ciclo e da escola secundaria, que se esforçaram para que os dias do meu filho fossem uma mais valia para o meu bem estar. Bem hajam, a Carla, a Ana, a Maria, a Cristina, a Manuela, a Né, a Bé, a Luisa, a João, a Ana Paula, entre outras.

O colégio deixou lembranças bonitas no Miguel, ainda hoje, ele diz que tem duas escolas.E quando vê as donas, a Ana e a mãe, reconhece-as de imediato, chamando a última de " Avó".Enfim...

Um beijo...

11 comentários:

Anônimo disse...

Continuo a adorar ler-te. Nunca pensaste em pôr tudo isto num livro? pois pensa. Tem tudo a ver.
um abração .

P:SComigo esta tudo a correr bem.
Graça

laura disse...

......

Isa linda, já cá estou, e com saudades do nosso cantinho...

Gostei muito do teu testemunho,e merece uma atenção especial. Li-o mas agora quero dar miminhos a todos, amanhã volto.

Beijinhos muito bons... laura

Alda disse...

Isa,

Passo por aqui, um pouco à pressa, para te deixar um beijinho.Hoje tenho que ir cedo para caminha...

Manuela disse...

Isa,

Explicaste muito bem o que é viver na incerteza. Já o disse várias vezes: na incerteza vive toda a humanidade, mas, na prática, ninguém pensa que não terá amanhã.

A maior batalha que temos agora (agora que, graças a Deus, estamos bem) é mantermo-nos equilibradas e felizes no meio da incerteza e da angústia.

Cada vez que chega a altura de fazer exames é um stress!

Com o passar do tempo, essa angústia vai-se diluindo. No entanto, só de pensar que podemos ter que passar por tudo aquilo outra vez, sente-se um murro no estômago...

Fica muito nítido o conceito do Viver no Agora. E esse é um presente que esta doença nos dá e que nós nem sempre conseguimos ver. Aprender a viver no eterno momento do Agora...

Fica bem

Alda disse...

Está muito bonito o teu blog, de visual novo.
O texto emocionante, como sempre.
Parabéns!
Fica bem. Beijinhos

Manuela disse...

Hum...! Gosto muito mais deste visual. O blog está muito giro.
Boa!

Beijinhos

Isa disse...

Ola amigas....mas ainda nao estou satisfeita, tanto mudo as cores, que devo voltar à cor de origem. Dá uma trabalheira!...

Beijinhos a todas

Isa.

laura disse...

.....
Querida Isa.
Cá estou eu prontinha para animar estas lindas meninas que me couberam na rifa....

Já uma vez te disse, Deus fecha uma porta... sabes o resto?
Vê como o caminho Dele é tão estranho para nós! Mas Ele sabe o que melhor serve a cada um.

Sobre o que contas que esse teu amigo Dr. Gil te disse concordo em absoluto, porquê continuar a sofrer? É a inutilidade do sofrimento... só destroi e nega as maravilhas da natureza.

Em relação ao Miguel:

Tens dúvidas que o nosso Deus não te mostrou o caminho? Não te pôs nas mãos a melhor solução?
Claro que o homem é fraco, e muitas vezes não vimos ou não queremos aceitar que somos uns seres imperfeitos e com pouca paciência e preparação. Mas isso é comigo (de que maneira!)e com toda a gente.
A meditação espiritual dá-nos sempre a resposta. Não dá?
Todos sem excepção temos de melhorar.

Tenho saudades do cafézinho...
Muitos beijinhos e saudades. laura

retratoiluminado disse...

Finalmente hoje consegui sentar-me e por por aqui a conversa em dia.
Graça já pensei mas dispensei logo a seguir, gosto deste feedback dos blogues... e um livro é quase impensavel!

laura sei que andas a divertir-te com os teus amigos. Bem sei que deves ter saudades nossas tambem, por isso arranja o anti virus depressa! para o cfezinho. Se bem que tem andado meio morto, mal teno la ido, ando um pouco cansada.

Alda obrigada pelos elogios. O teu espaço tambem esta a ficar fixe.

Manuela, tens razão...é um stress! temos que aprender a viver que essa incerteza no peito. Ás vezes doi que se farta, outras parece que nada de mal nos toca, já.

Beijinhos a todas...
Isa.

Anônimo disse...

Alda, vai ver o que se passa com as mensagens no teu blogue, nao consigo deixar nenhuma.

Beijinho amiga.
Isa.

aida guimarães disse...

Olá Isa

Estás bem amiga?
Temos que falar no msn, já tenho saudades das nossas maluqueiras.

Fica bem

Beijinhos grandes para ti e para o Miguel